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Blog do Daniel
 


A foto que afronta

 

Foto

A polêmica político-midiático por causa da foto (acima) de dois rapazes brincando em torno de um pênis de borracha numa parada LGBT, no Acre, e o subsequente "piti" moralista do governador pentecostal prescindem de quaisquer profundas reflexões. Tratam-se do velho moralismo homofóbico, opressor e seletivo.

Pornochanchada é cult, Garganta Profunda já se tornou um filme intelectual - este último já foi inclusive matéria de capa de caderno de um dos maiores jornais brasileiros. Festa do Pênis, no Japão (ver foto abaixo e sugiro que googlem mais na internet - procurem por "japanese penis festival party"), é "tradicionalíssima" com milhares de pênis (alguns gigantes) nas ruas e meninas e senhoras com tais orgãos masculinos em suas cabeças, rostos e boca. 

foto

Contudo, a tal foto da parada do Acre, registrando uma brincadeira tola (banalíssima entre heterossexuais em qualquer festinha de réveillon, micareta ou carnaval - ver foto abaixo) é rotulada de "escandalosa". No caso da parada gay, ao contrário dessas mencionadas festas populares, para além do seu caráter festivo (o que já é em si mesmo contestador, uma vez que a moral vigente tolhe imensamente a plenitude de felicidade dos homossexuais) há ainda um plus - que justificaria ainda mais o cenário da foto - que se trata do papel iconoclasta, político,contestador, que se faz como um grito corporal contra dois milênios de repressão contra toda e qualquer expressão homossexual.

 

A montagem dessa foto (ela não foi espontânea, mas arranjada a pedido do fotógrafo) e sua espalhafatosa publicização contra as paradas LGBT nada mais é que o operacionamento do aparato de vigilância e punição contra a corporização da homossexualidade.

Vejam. Se um pai abraça (sim! apenas abraça) seu filho, ele perde a orelha; se um rapaz abraça seu namorado, ele sofre traumatismo craniano; se um jovem anda na Paulista com um trejeito corporal afeminado, ele apanha de lâmpada na cara. Não vou mencionar as técnicas de tortura (foto abaixo) e as fogueiras que a inquisição fez especificamente com os corpos dos homossexuais pois basta a lembrança para que me surjam náuseas. Por essas e outras (muitas outras, travestis brutalizadas, lésbicas estupradas "corretivamente" etc) digo que achei ótima a tal foto da felação de borracha!


Talvez eu preferiria que ela não existisse. Preferiria, talvez, que as paradas gays só tivessem militantes aguerridos, comportadíssimos, homem gays másculos e lésbicas femininas, talvez todos brancos de classe média, com pós-doutorado em Estudos Queer. Bom, não deveria ser necessário lembrar que os seres humanos e seus gritos de libertação não são peças de lego nas mãos e intelectuais iluminados.

Chega a me surgir agora aquele comichão libertário de desejar ver nas próximas paradas gays uma multidão de gays indo às ruas com seus pênis de borracha com dizeres: "o pênis é meu e eu o uso com quem eu quiser!". Lembro-me, agora, das mulheres no século passado, na Europa, marchando com seus seios de fora. É isso! "O corpo é meu!" Ele não é posse do Estado, nem do aparato de repressão da moralidade judaico-cristã.


Essa foto da parada gay do Acre é, portanto, o cheiro incômodo da carne queimada dos perseguidos pela moral inquisitorial. Parada Gay é isso: um desbunde corporal sendo propositalmente esfregado na cara do censor.



Escrito por Daniel Moraes às 00h29
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Essa matéria abaixo foi feita pelo Globo.com e a achei bastante interessante. Mostra uma imagem super positiva do homem gay que, convenhamos - pelo menos nesse caso da reportagem - é totalmente verdadeira.

Só um detalhe: a foto minha e de Isabele foi um "enxerto". Não faz parte da reportagem original Piscadela



Escrito por Daniel Moraes às 01h22
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Escrito por Daniel Moraes às 01h17
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No último dia 4, a população da Califórnia aprovou nas urnas a "Proposta 8", emenda promovida por grupos conservadores que bania o casamento homossexual naquele estado norte-americano. 

Criticado atualmente por grupos conservadores, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é um costume moderno e, na Antigüidade, chegou a ser reconhecido como legítimo, da mesma forma que as uniões heterossexuais. 

Os gregos, por exemplo, usavam as mesmas palavras para designar as relações homossexuais e as heterossexuais. Eles encaravam o desejo gay como algo natural, normal e universal. Não era ofensivo perguntar para alguém que se dizia apaixonado: ‘você gosta de um homem ou de uma mulher?’. A lei ou a religião não penalizavam esse tipo de relação.  

Em Roma não era diferente. A única diferenciação imposta socialmente era o fato de ser passivo ou ativo. Como escreve Paul Veyne no livro "Sexo e poder em Roma", "a homossexualidade passiva era um crime para um cidadão (porque a dignidade cívica exige que se seja um verdadeiro macho), mas, para um escravo, era um dever (o escravo tinha de desempenhar, para seu dono, o papel passivo se o dono o exigisse."

 

Segundo Stuart Michaels, diretor do Centro de Estudos de Gênero da Universidade de Chicago, nos EUA, isso mostra uma diferença entre os conceitos atuais e os antigos. "Na época pagã, não havia uma preocupação em classificar as pessoas de acordo com a preferência sexual, mas sim em saber seu status social, se era livre ou escrava, se era passiva ou ativa", disse em entrevista ao G1 por telefone.

 

O sexo para procriação

A visão da sociedade em relação à sexualidade começou a mudar com o surgimento e a aceitação das religiões monoteístas, que pregavam que o único sexo correto e aceitável era aquele que servia à procriação, portanto, o heterossexual. Em Roma, quando os imperadores adotaram o cristianismo, no século IV, as proibições começaram a ser impostas. Em 342, os imperadores Constante I e Constâncio II aboliram qualquer reconhecimento dos casamentos homossexuais.

 

Na Idade Média, quem tinha relações com pessoas do mesmo sexo passou a ser visto não apenas como pecador, mas também como uma causa dos males da sociedade, como a peste negra. A solução achada era a erradicação. Nessa época, muitos gays foram executados ou presos. Segundo o professor William Naphy em seu livro "Born to be gay - A história da Homossexualidade", em 1270, um código francês estabelecia que um homem "declarado culpado por sodomia deve perder os testículos e, se o praticar uma segunda vez, deve perder o membro, e se o praticar uma terceira vez, deve ser queimado."

 

Ser 'homossexual'

O termo ‘homossexual’ surgiu no final do século XIX, na Europa, quando houve um interesse da comunidade médica, principalmente, em pesquisar e catalogar as práticas sexuais. Segundo o professor Michaels, o nome foi criado antes mesmo do termo 'heterossexual'. Até essa época, só insultos e nomes agressivos eram usados para quem praticava relações com pessoas do mesmo sexo.

 

A partir dessa classificação, o século XX viu a divisão da sociedade baseada na preferência sexual: quem gosta de pessoas do sexo oposto e quem se relaciona com pessoas do mesmo sexo. "Isso, na minha opinião, tem um ponto positivo e um ponto negativo. A parte positiva é que isso possibilitou a criação de uma identidade comum e da união das pessoas para defender direitos. Mas essa classificação também serviu como força negativa para a repressão, que ocorreu em muitas épocas do século XX", afirma Michaels.

 

Texto publicado pelo globo.com

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL862637-5602,00-MOTIVO+DE+POLEMICA+ELEITORAL+NOS+EUA+UNIAO+GAY+ERA+ACEITA+NA+ANTIGUIDADE.html

 



Escrito por Daniel Moraes às 17h01
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DISCURSO HISTÓRICO

Nesta semana, o ancora Keith Olbermann, da NBC (uma TV de centro-direita), fez ao vivo um comentário emocionante (e emocionado) sobre a aprovação da Proposta 8, um plebiscito que baniu o casamento entre homossexuais na Califórnia. Essa foi uma estatégia política extremamente autoritária e antidemocrática (apesar de ser legal) liderada por religiosos americanos, em especial evangélicos e mórmons.

Nunca na história do constitucionalismo uma Constituição foi utilizada para expressamente RETIRAR DIREITOS. A Constituição, obviamente, existe para garantir e assegurar direitos. Os fundamentalistas americanos não só deturpam os princípios constitucionais, como se valeram de um insólito isntrumento para valer seus arroubos autoritários: o plebiscito. Ora! É um acinte ao Estado Democrático de Direito que se coloque os DIREITOS das minorias em voto!! Pois este golpe foi desferido pelos crentes fundamentalistas que desprezam a Democracia em prol da ditadura da maioria (claro... contando que eles sejam a maioria).

Por isso, o discurso de Olbermann foi imensamente oportuno e feriu com louvável precisão o cerne do discurso conservador/homofóbico/religioso. Este jornalista  foi, antes de tudo, um cidadão, além de ter mostrado belíssimo senso de humanidade.

Será que um dia veremos na imprensa brasileira um posicionamento semelhante? Com a imprensa idiotizante que temos, com tanto "Globo Repórter" veiculando reportagens sobre "as andorinhas do sul do Canadá", "os golfinhos de litoral brasileiro", ou então questões sociais (?) como "o benefício do feng shui na vida moderna" eu fico a crer que um posicionamento cívico como esse muito provavelmente jamais será visto na alta mídia do Brasil. 

Vale a muito a pena assistir o vídeo (fiz uma tradução que pus logo abaixo). Vejam:

TRADUÇÃO:

 

"Alguns esclarecimentos, como prefácio: não é uma questão sobre gritos de protestos ou de política ou mesmo sobre a Proposta 8. Eu não tenho nenhum interesse pessoal envolvido, não sou gay e tive que me esforçar para me lembrar de um membro de minha imensa famí­lia que seja homossexual. Também não tenho nenhuma história pessoal de amigos ou colegas que estejam sofrendo preconceito em suas vidas privadas. E, apesar disso, essa votação para mim é horrí­vel! horrí­vel! Porque esta não é uma questão de grito de protesto, nem é uma questão de política. Porque esta é uma questão que gira em torno do coração humano, e se isto soa cafona, que seja. 

 

Se você votou a favor da Proposta 8 ou apóia aqueles que votaram ou o sentimento que eles expressaram, tenho algumas perguntas a fazer, porque, honestamente, eu não entendo. Por que isso importa para você? O que tem a ver com você? Numa época de volubilidade e de relações que duram apenas uma noite, estas pessoas queriam a mesma oportunidade de estabilidade e felicidade que são uma opção pra você. Elas não querem tirar a sua oportunidade. Não querem tirar nada de você. Elas querem o que você quer: uma chance de serem um pouco menos sozinhas neste mundo. 

 

Só que agora você está dizendo para elas: "Não. Vocês não podem viver isto desta forma”. “Talvez até possam ter algo similar”, se eles se comportarem. “Se não causarem muitos problemas”.Você até daria a elas os mesmos direitos legais - apesar de que, ao mesmo tempo, esteja tirando delas o direito legal que já tinham. Existe um mundo em torno deste conceito ainda ancorado no amor e no matrimônio, e você está dizendo para elas: "Não, vocês não podem se casar!". E se alguém aprovasse uma lei dizendo que você não pode se casar? 

 

Eu continuo a ouvir a expressão "redefinindo o casamento". Se este país não tivesse redefinido o casamento, negros não poderiam se casar com brancos. Dezesseis Estados tinham leis que proibiam o casamento inter-racial em 1967. 1967! Os pais do presidente eleito dos Estados Unidos não poderiam ter se casado em quase um terço dos Estados do paí­s que seu filho viria a governar! Ainda pior: se este paí­s não houvesse redefinido o casamento, alguns negros não poderiam ainda se casar com outros negros! Essa é uma das partes mais negligenciadas e cruéis de nossa triste história de escravidão.  Casamentos não eram legalmente reconhecidos se as pessoas fossem escravas. Como escravos eram uma propriedade, não podiam ser marido e mulher ou mãe e filho. Seus votos matrimoniais eram diferenciados: nada de até que a morte os separem", mas sim "até que a morte ou a distância os separem". 

 

O casamento entre escravos não era legalmente reconhecido, exatamente como os casamentos hoje entre gays na Califórnia hoje não são legalmente reconhecidos se as pessoas forem gays. E incontáveis são, em nossa História, o número de homens e mulheres forçados pela sociedade a se casarem com alguém do sexo oposto em matrimônios armados ou de conveniência ou mesmo casamento sem conhecimento; séculos de homens e mulheres que viveram suas vidas envergonhados e infelizes e que, através da mentira para os outros ou para si mesmos, arruinaram inúmeras outras vidas de esposas, maridos e filhos, apenas porque nós dissemos que “um homem não pode se casar com outro homem” ou que “uma mulher não pode se casar com outra mulher”. A tal “santidade do matrimônio”.

Quantos casamentos como estes aconteceram e como eles podem aumentar a "santidade" do matrimônio em vez de torna-lo insignificante? 

E em que isso interessa a você? Ninguém está te pedindo para abraçar a expressão de amor destas pessoas. Mas será que vocês, como seres humanos, não teriam que aceitar esse amor? O mundo já não hostil demais?! Ele se coloca contra o amor, contra a esperança e contra aquelas bem poucas e preciosas emoções que nos permitem - a todos nós! - seguir adiante. Seu casamento só tem 50% chance de durar, não importando o tanto que você batalhar por ele ou a intensidade de seu sentimento. E, ainda assim, aqui estão estas pessoas tomadas pela alegria apenas diante da possibilidade dessa chance, e que agem apenas pela esperança de ter esse sentimento. Com tanto ódio no mundo, com tantas divisões sem sentido e pessoas atiradas umas contra as outras por motivos banais, isto é o que sua religião te manda fazer?! Com sua experiência de vida neste mundo cheio de tristeza, isto é o que sua consciência te manda fazer?! Com seu conhecimento de que a vida, com vigor interminável, parece desequilibrar o campo de batalha em que todos vivemos em prol da infelicidade e do ódio. É isto que seu coração te manda fazer?! 

Você quer santificar o casamento? Quer honrar seu Deus e o Amor universal que você acredita que Ele representa? Então dissemine a felicidade! Este minúsculo e simbólico grão de felicidade. Divida-o com todos que o buscam! Cite qualquer frase dita por seu lí­der religioso ou por seu evangelho de escolha que te comande a ficar contra isso! E então me diga como você pode aceitar esta frase e também outra que diz apenas: "Trate os outros como gostaria de ser tratado"! O seu país, e talvez seu Criador,“ pedem que você assuma uma posição neste momento. Um pedido para que se posicione não numa questão polí­tica, religiosa ou mesmo de hetero ou homossexualidade, te pedem agora que você de posicione numa questão de amor! Tudo que você precisa fazer é se posicionar ante a pequena brasa de amor que surge no destino de cada um.

Você não tem que ajudar ou aplaudir ou lutar por ele. Apenas não o destrua! Não o apague! Porque mesmo que, num primeiro momento, este amor pareça interessar apenas a duas pessoas que você não conhece, não entende e talvez você nem queira conhecer, esse amor é, na realidade, uma demonstração de seu amor por seus semelhantes. Porque este é o único mundo que temos. E as outras pessoas também contam!”. 



Escrito por Daniel Moraes às 20h27
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Segundo pesquisa, homossexuais têm mais tendências a depressão e distúrbios de ansiedade.

 

Que novidade.... como se fosse difícil entender o porquê.

 

Com base 25 estudos realizados no ano passado, pesquisadores do Reino Unido concluíram que homens e mulheres homossexuais ou bissexuais têm mais tendência a sofrer de depressão. Segundo o estudo, esta tendência está associada ao fato de homo ou bissexuais sofrerem discriminação e preconceito da sociedade.

O estudo, publicado na revista científica "BMC Psychiatry" revelou que lésbicas, gays e bissexuais representavam um número 50% maior do que os heterossexuais no histórico de problemas relacionados a depressão e ansiedade. O estudo revelou ainda que os heterossexuais representavam um número duas vezes menor dentro do grupo de pessoas que já tentaram o suicídio alguma vez na vida. A pesquisa também mostrou que lésbicas, gays e bissexuais estão mais propensos a abusarem de álcool e outras substâncias.

Apesar dos resultados, um dos pesquisadores, Michael King, observou que os resultados não querem dizer que a homo ou a bissexualidade sejam relacionados a tipos de destúrbios mentais que façam aumentar os riscos de problemas depressivos. Para King, os resultados estão relacionados ao fato de homossexuais e bissexuais sofrerem mais com a exclusão social do que os heterossexuais.

Fonte: site mixbrasil.com. Em 22/9/2008.



Escrito por Daniel Moraes às 17h12
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BRASIL RACISTA. ALGUMA NOVIDADE?

para os críticos das cotas, talvez sim.

Quem me conhece bem, sabe que sou amplamente favorável às cotas raciais. Não as acho a solução perfeita, nem a única solução. Sei que as cotas têm suas limitaçãos (usam o mecanismo racista, por exemplo - ainda que com fim inverso), seus problemas intrínsecos (quem é, de fato, negro?) e que não prescindem de outras medidas (socio-educativas, culturais etc) para a eliminação do fosso racial que ainda fortemente persiste no Brasil.

Porém, eu, sinceramente, costumo achar que os críticos ao sistema de cotas costumam (convenientemente, pois são majoritariamente brancos) "se esquecer" que o racismo não perpassa somente as raias das relações interpessoais simbólicas e das esferas estritamente culturais. Falo aqui, por exemplo, da acintosa diferença de expectativa de vida entre brancos e negros, ou da diferença de mortalidade infantil, e mesmo da diferença de acesso ao trabalho e à renda entre esses dois grupos. 

É muito fácil falarmos em uma saída por meio de políticas sociais de educação e conscientização (que demandam o tempo de gerações), em detrimento das cotas (que são de resultados muito mais imediatos), enquanto nesse ínterim geracional os negros estão aqui, em condiões reais, objetivas e materiais, sem inserção social digna, sem trabalho, sem renda, sem educação, ao passo que, nesse intervalo de tempo, a nada boba sociedade branca fica a gozar das infindas benésses que vêm do privilégio de não ser negro, e assiste (numa sacada na Vieira Souto) a possibilidade (sim, porque se trata de possibilidade e não de certeza) do Brasil vir a ser menos racista, e daí poder (ou não) propiciar melhores condições de vida para sua populção negra num idílico futuro.

Sinceramente, acho isso um cinismo debochado.

Escrevo isso em função da divulgação da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (24/09/08) cujo recorte de renda da pesquisa mostra que a população negra ou parda ganha absurdamente menos que a branca em todas as regiões do país

O rendimento mensal médio de um trabalhador brasileiro de cor branca, em 2007, era de 3,4 salários mínimos (R$ 1.292, considerado o mínimo do ano passado), enquanto os negros ou pardos tinham renda média de 1,8 salário mínimo (R$ 684).

Segundo o IBGE, os brancos representam um quarto dos 10% mais pobres da população. Mas são 86% do 1% mais rico.

Tenho verdadeiro asco à realidade que esses números indicam. Mais repulsa ainda tenho para com a crítica do sistemas de cotas quando o chama de "racista", como se esse sistema estivesse inventando o racismo no Brasil, como se fossem as cotas que tornariam o Brasil um país que distingue negros de brancos!

Seria para rir, se não fosse para chorar.

 



Escrito por Daniel Moraes às 16h47
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Empresa? Não. Família

Desembargadora Maria Berenice Dias comenta decisão do STJ que reabriu processo sobre união homossexual sob a competência da Vara de Família.
Por Maria Berenice Dias*


O Superior Tribunal de Justiça acaba de proferir decisão histórica, ao determinar o prosseguimento da ação em que um casal formado por um brasileiro e um canadense buscou o reconhecimento de constituírem uma união estável.

Vivendo juntos há 20 anos e casados no Canadá, buscam a obtenção do visto de permanência para fixarem residência no Brasil. Tanto o juiz de São Gonçalo como o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro haviam fulminado a ação, alegando "impossibilidade jurídica do pedido", ou seja, que a ação não poderia ser proposta por falta de previsão legal.

A decisão não significa que o STJ reconhece a existência do vínculo entre ambos e nem declara que se trata de uma união estável. Mas toma uma posição sobre tema envolto em preconceito e alvo de tanta discriminação que leva o legislador a omitir-se. Daí o significado do julgamento, pois impõe a inclusão das uniões homoafetivas no âmbito de proteção do sistema jurídico como uma realidade merecedora de tutela.

Pela primeira vez é admitido, por um Tribunal Superior, que as pretensões envolvendo pares homossexuais merecem ser apreciadas pela justiça. Aliás, neste sentido já vem se manifestando, de forma cada vez mais freqüente, tanto justiça comum como as justiças especializadas de vários Estados. Inclusive as demandas propostas pelo Ministério Público perante a Justiça Federal têm eficácia erga omnes, o que levou o INSS a expedir Resolução Normativa para a concessão de direitos previdenciários aos parceiros do mesmo sexo.

O próprio Supremo Tribunal Federal, ao menos em duas oportunidades, já manifestou postura francamente favorável ao reconhecimento das uniões como entidade familiar. Os Ministros Celso de Melo e Marco Aurélio, em decisões monocráticas, mostraram indignação ante ao descaso social a tal segmento da população. Fora disso o Superior Tribunal Eleitoral, pelo voto do Ministro Gilmar Mendes, declarou a inelegibilidade da parceira de quem ocupa cargo político.

Mas às claras que o grande mérito da decisão foi impor o cumprimento da lei. Afinal a Lei 11.340/06, de combate à violência doméstica - a chamada Lei Maria da Penha - definiu entidade familiar como "qualquer relação íntima de afeto" e, repetidamente, refere que tais relações independem de orientação sexual.

Assim, ao determinar o prosseguimento da ação, o STJ cumpre sua função maior que é de assegurar a vigência da legislação infraconstitucional.

Além disso, claramente o Poder Judiciário manda um recado ao Poder Legislativo: falta de lei não significa ausência de direito.

É chegada a hora de acabar com a invisibilidade de quem só quer ter o direito de ser feliz.

* Maria Berenice Dias é advogada especializada em Direito Homoafetivo - www.mariaberenice.com.br.



Escrito por Daniel Moraes às 23h32
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A fé dos homofóbicos

Em 1946, quando os negros reivindicaram a inclusão de alguns direitos na Constituição, foi um salseiro. Foram acusados de antidemocráticos e racistas por congressistas e estudantes da UNE. Em 1988, a Constituição promoveu o racismo de contravenção a crime. Ninguém chiou. Na década de 50, quando se discutia o divórcio, teve cardeal dizendo que se devia pegar em armas para combater a proposta. Em 1977, o Congresso aprovou o divórcio. Não houve tiroteio, e a igreja do cardeal nunca mais tocou no assunto. Recordar é viver.

Agora, os evangélicos estão anunciando o apocalipse caso o Senado faça o que a Câmara já fez: aprovar lei punindo a homofobia com prisão. A lei em vigor pune a discriminação por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. A nova acrescenta a punição por discriminação contra homossexuais. Cerca de 1 000 evangélicos tentaram invadir o Senado em protesto. Dizem que a criminalização da homofobia levará à prisão em massa de pastores e padres, e viveremos todos sob o domínio gay. A história ensina que, cedo ou tarde, a lei, ou outra qualquer com objetivo similar, será aprovada, e a vida seguirá seu curso regular sem nada de extraordinário.

Os evangélicos e aliados dizem que proibir a discriminação contra gays fere a liberdade de expressão e religião. Dizem que padres e pastores, na prática de sua crença, não poderão mais criticar a homossexualidade como pecado infecto e, se o fizerem, vão parar no xadrez. É uma interpretação tão grosseira da lei que é difícil crer que seja de boa-fé.

Tal como está, a lei não proíbe a crítica. Proíbe a discriminação. Não pune a opinião. Pune a manifestação do preconceito. Uma coisa é ser contra o casamento gay, por razões de qualquer natureza. Outra coisa é humilhar os gays, apontá-los como filhos do demônio, doentes ou tarados. É tão reacionário quanto uma Ku Klux Klan alegar que a proibição da segregação racial fere sua liberdade de expressão. Querem a liberdade de usar a tecnologia Holerite de cartões perfurados pela IBM?

Alegam que a liberdade religiosa fica limitada porque combater o pecado vira crime. É um duplo equívoco. O primeiro é achar que uma doutrina de crença em forças sobrenaturais autoriza o fiel a discriminar o herege. O segundo é atribuir à lei valor moral. O direito penal não é instrumento para infundir virtudes. É um meio para garantir o convívio minimamente pacífico em sociedade. Matar é crime não porque seja imoral, mas porque a sociedade entendeu que a vida deve ser preservada. Dúvidas? Recorram ao Supremo Tribunal Federal. Na democracia, é assim. Lei não é bíblia de moralidade.

O que essa proposta pretende dar aos gays, e sabe-se lá se terá alguma eficácia, é aquilo a que todo ser humano tem direito: respeito à sua integridade física e moral. Os evangélicos, pelo menos os que foram a Brasília, dão prova de desconhecer que seres humanos não diferem de coisas só porque são um fim em si mesmos. Os seres humanos diferem das coisas porque, além de tudo, têm dignidade. As coisas têm preço.

André Petry, na Veja.


Escrito por Daniel Moraes às 00h39
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Acreditem! Esse texto foi escrito por um pastor que sem nenhum pudor asseverou a membros de minha antiga congregação que eu "irei para o inferno" por ser gay, "apesar de Deus saber que sou uma boa pessoa".

Que pena que para muitos religiosos as misericórdias do Senhor se renovam uma vez por ano (será no Natal?), e mesmo assim de tardinha.

Se toda Lei se cumpre no amor, como o texto mesmo afirma, então "dar ocasião à carne" é, por lógica, tudo que gera e vem do desamor. (Claro! Pois quem ama é de Deus e conhece a Deus, porque Deus é amor. Então o texto está corretíssimo! )

Muito simples, não?! Bem... é simples para quem conhece/vive o Amor de Cristo, o amor gracial e misericordioso, e não está COMPROMETIDO COM O SISTEMA (teologia moral de causa-e-efeito), mas somente com as Boas Novas do Evangelho.

Que pena que o autor não conseguiu aprender com o próprio texto que escreveu!

Acabou que, nesse caso, a boca falou do que NÃO está cheio o coração. Os grilhões da Lei Mosaica deram fim à liberdade da graça.

Vejam:

 

LIBERDADE CRISTÃ

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão.” (Gl. 5:1)

A cultura evangélica brasileira é legalista. Eu nasci debaixo deste jugo. Hoje, entendendo um pouco melhor as Escrituras, lamento o tempo de castração.

Atualmente parece que melhorou um pouco, mas, vez em quando, as cordas que cerceiam a liberdade tentam nos apertar.

Percebo que esta é uma tendência comum aos seres humanos. Para nos sentirmos bem e com direito, precisamos pagar. Não é concebível recebermos algo de graça.

Por mais que abracemos a graça da fé cristã; por mais que Deus tenha demonstrado que nossas justiças não passam de trapos de imundície; por mais que nós próprios sejamos obrigados a concordar que nossos atos não poderão nos abrir caminho à vida eterna; por mais que entendamos intelectualmente os princípios divinos da salvação; tentamos, sempre, colocar nosso dedo, nossa “pitada de sal”.

Com isto as Igrejas se enchem dos “não faça isto”, “não coma aquilo”, “não vista isto” e, talvez, principalmente, “não bebas aquilo”.

Temos a mesma natureza dos críticos de João Batista e do Senhor Jesus: “A que posso comparar esta geração? São como crianças que ficam sentadas nas praças e gritam umas às outras: Nós lhes tocamos flautas, mas vocês não dançaram; cantamos um lamento, mas vocês não se entristeceram. Pois veio João, que jejua e não bebe vinho, e dizem: Ele tem demônio. Veio o Filho do homem comendo e bebendo, e dizem: Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é comprovada pelas obras que a acompanham”. (Mt. 11:16a19)

Na verdade o Senhor Jesus Cristo nos ensina aí algumas lições:
1-Corações prisioneiros criticam e julgam tantos os abstêmios quantos os que se servem com liberdade da comida e da bebida.
2-Corações prisioneiros não reagem positivamente nem à música nem ao lamento.
3-O coração livre no Senhor sabe distinguir com sabedoria os limites dos seus atos.
4-As boas árvores serão sempre conhecidas pelos seus bons frutos.

Eu, como pastor de uma comunidade, tenho plena consciência das lutas a serem enfrentadas para a quebra de alguns paradigmas. Estou disposto.

Alerto, no entanto, que: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade: porém, não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Gl. 5:13e14)

Na alegria de ser um servo livre.


em 18.07.2005



Escrito por Daniel Moraes às 02h08
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A igualdade é colorida

Por Marco Aurélio Mello

Folha de S.Paulo de 19 de agosto.

 

São 18 milhões de cidadãos considerados de segunda categoria: pagam impostos, votam, sujeitam-se a normas legais, mas, ainda assim, são vítimas de preconceitos, discriminações, insultos e chacotas. Em se tratando de homofobia, o Brasil ocupa o primeiro lugar, com mais de cem homicídios anuais cujas vítimas foram trucidadas apenas por serem homossexuais.

Números tão significativos acabam ignorados porque a sociedade brasileira não reconhece as relações homoafetivas como geradoras de direito. Se o poder público se agarra a padrões conservadores, o dia-a-dia cria o fato, obrigando as instituições a acordar.

 

Um caso revelador dessa omissão aconteceu no Sul: após 47 anos de vida em comum, falecido o parceiro, cujo patrimônio se formara antes do vínculo, o Estado reivindicou a herança, alegando não haver herdeiros legais. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, porém, reconheceu a relação afetiva do casal, assentando o direito do sobrevivente aos bens.

O Judiciário gaúcho sobressai pela modernidade, havendo sido o primeiro a julgar ações ligadas a vínculos homoafetivos na vara de família, e não na cível. A diferença é significativa. No primeiro caso, reconhece-se o vínculo íntimo, de familiaridade; no segundo, o societário, e aí, findos os anos de convivência, os parceiros são tidos como sócios, dividindo-se o patrimônio adquirido. Se nada for obtido na constância da relação, nada será devido. Tal postura mostra-se, no mínimo, injusta, porque não admite que a origem, a base da união é o afeto, não a vontade de compor sociedade.

 

A jurisprudência vem avançando. Começa a firmar-se o entendimento de que essa parceria se equipara à união estável, sobretudo para evitar o enriquecimento de outrem. Na maioria das vezes, parentes que costumam alijar do convívio o homossexual reclamam a herança por este deixada. A Justiça vem admitindo o direito de casais homoafetivos à guarda e adoção de crianças. Na Bahia, há pouco se estabeleceu o direito de visita da ex-parceira ao filho gerado pela outra. Em São Paulo, permitiu-se que dois parceiros adotassem quatro irmãos. Em geral, no entanto, só um adota -a lei permite que solteiros o façam-, em prejuízo do adotado, que perde o direito à proteção conjunta.

 

No rastro de decisões judiciais, o Executivo, compelido pela realidade e mediante atuação do INSS, estendeu aos homossexuais o reconhecimento do vínculo, a gerar o direito ao plano de saúde e à pensão. Se, no âmbito federal, as mudanças vêm a fórceps, as legislações municipais e estaduais se mostram mais adequadas às transformações sociais. Desde 1999, vige, em Salvador, a lei nº 5.275/97, que proíbe a discriminação homofóbica. Aguarda ainda apreciação pelo Senado o projeto de lei nº 5.003/2001, que enquadra a homofobia como crime, já aprovado na Câmara dos Deputados, onde tramita também projeto que proíbe os planos de saúde de limitar a inscrição de dependentes no caso de parcerias homossexuais.

Essa homofobia não deixa de ser curiosa ante a tradição de tolerância dos brasileiros quanto à diversidade cultural e religiosa. E foi aqui que se realizou a maior parada gay do mundo, superando a pioneira São Francisco, na Califórnia.

 

É fato: nos últimos anos, alguns tabus foram por água abaixo, como a concepção de que homossexuais não poderiam adotar. Desde 1984, quando retirada a homossexualidade do rol das doenças, esse argumento deixou de respaldar práticas abusivas, como tratamentos psiquiátricos. A melhor notícia parece ser a censura social: hoje em dia é politicamente incorreto defender qualquer causa que se mostre preconceituosa. Se a discriminação racial e a de gênero já são crimes, por que não a homofobia?

Felizmente, o aumento do número de pessoas envolvidas nas manifestações e nas organizações em prol da obtenção de visibilidade e, portanto, dos benefícios já conquistados pelos heterossexuais faz pressupor um quadro de maior compreensão no futuro.
Mesmo a reboque dos países mais avançados, onde a união civil homossexual é reconhecida legalmente, o Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito, o que significa fortalecer o Estado democrático de Direito, sem dúvida alguma, a maior prova de desenvolvimento social.

 


 

MARCO AURÉLIO MELLO é ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Escrito por Daniel Moraes às 22h26
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Beije!

E o faça a qualquer hora, em qualquer lugar

Invente qualquer desculpa para apenas sair e beijar

Já que é a única coisa que é de graça, não engorda, nem é pecado ou proibido!

O que importa é, pois, ser livre e ser feliz e não deixar nenhum bom desejo reprimido.

 



Escrito por Daniel Moraes às 20h51
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As causas da homossexualidade
Por Drauzio Varella


Existe gente que acha que os homossexuais já nascem assim. Outros, ao
contrário, dizem que a conjunção do ambiente social com a figura
dominadora do genitor do sexo oposto é que são decisivos na expressão da
homossexualidade masculina ou feminina. Como separar o patrimônio genético
herdado involuntariamente de nossos antepassados da influência do meio
foi uma discussão que monopolizou o estudo do comportamento humano
durante pelo menos dois terços do século 20.

Os defensores da origem genética da homossexualidade usam como argumento os trabalhos que
encontraram concentração mais alta de homossexuais em determinadas famílias
e os
que mostraram maior prevalência de homossexualidade em irmãos gêmeos
univitelíneos criados por famílias diferentes sem nenhum contato pessoal.
Mais tarde, com os avanços dos métodos de neuro-imagem, alguns autores
procuraram diferenças na morfologia do cérebro que explicassem o
comportamento homossexual.

Os que defendem a influência do meio têm ojeriza aos argumentos
genéticos. Para eles, o comportamento humano é de tal complexidade que fica
ridículo limitá-lo à bioquímica da expressão de meia dúzia de genes. Como
negar que a figura excessivamente protetora da mãe, aliada à do pai
pusilânime, seja comum a muitos homens homossexuais? Ou que uma ligação
forte com o pai tenha influência na definição da sexualidade da filha?
Sinceramente, acho essa discussão antiquada. Tão inútil insistirmos nela
como discutir se a música que escutamos ao longe vem do piano ou do
pianista.

A propriedade mais importante do sistema nervoso central é sua
plasticidade. De nossos pais herdamos o formato da rede de neurônios que
trouxemos ao mundo. No decorrer da vida, entretanto, os sucessivos impactos
do ambiente provocaram tamanha alteração plástica na arquitetura dessa
rede primitiva que ela se tornou absolutamente irreconhecível e
original. Cada indivíduo é um experimento único da natureza porque resulta
da interação entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente
herdada e a experiência de vida. Ainda que existam irmãos geneticamente
iguais, jamais poderemos evitar as diferenças dos estímulos que moldarão
a estrutura microscópica de seus sistemas nervosos. Da mesma forma,
mesmo que o oposto fosse possível -garantirmos estímulos ambientais
idênticos para dois recém-nascidos diferentes- nunca obteríamos duas pessoas
iguais por causa das diferenças na constituição de sua circuitaria de
neurônios. Por isso é impossível existirem dois habitantes na Terra com
a mesma forma de agir e de pensar.

Se taparmos o olho esquerdo de um recém-nascido por 30 dias, a visão
daquele olho jamais se desenvolverá em sua plenitude. Estimulado pela
luz, o olho direito enxergará normalmente, mas o esquerdo não. Ao nascer,
os neurônios das duas retinas eram idênticos, porém os que permaneceram
no escuro perderam a oportunidade de ser ativados no momento crucial.
Tem sentido, nesse caso, perguntar o que é mais importante para a visão:
os neurônios ou a incidência da luz na retina? Em matéria de
comportamento, o resultado do impacto da experiência pessoal sobre os
eventos genéticos, embora seja mais complexo e imprevisível, é regido por
interações semelhantes. No caso da sexualidade, para voltar ao tema, uma
mulher com desejo sexual por outras pode muito bem casar-se e até ser fiel a
um homem, mas jamais deixará de se interessar por mulheres. Quantos
homens casados vivem experiências homossexuais fora do casamento?

Teoricamente, cada um de nós tem discernimento para escolher o comportamento
pessoal mais adequado socialmente, mas não há quem consiga esconder de si
próprio suas preferências sexuais. Até onde a memória alcança, sempre
existiram maiorias de mulheres e homens heterossexuais e uma minoria de
homossexuais. O espectro da sexualidade humana é amplo e de alta
complexidade, no entanto; vai dos heterossexuais empedernidos aos que não
têm o mínimo interesse pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em
gradações variadas entre a hetero e a homossexualidade, oscilam os menos
ortodoxos.

Como o presente não nos faz crer que essa ordem natural vá se
modificar, por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade
sexual de nossa espécie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana? Em contraposição ao comportamento
adotado em sociedade, a sexualidade humana não é questão de opção
individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se impõe a
cada um de nós. Simplesmente, é!



Escrito por Daniel Moraes às 19h59
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Jesus e os imorais 

Nesses debates e discussões sobre teologia e homossexualidade nos quais comumente me envolvo, tenho visto tanta demostração de repulsa aos homossexuais por parte dos crentes que me pus a considerar sobre a razão de tanto ódio, de tanta aversão, e então me lembrei da passagem em que Jesus se encontra com a mulher samaritana.

Tais quais os homossexuais são, hoje, tidos por muitos religiosos como repugnantes, os samaritanos eram também fortemente rejeitados pelos judeus desde os tempos de Oséias, o último rei de Israel. Eles eram considerados como povo abominável e impuro.

O ódio que os judeus tinham contra os samaritanos era tamanho a ponto desses religiosos das sinagogas de Israel (que liam Escrituras e sabiam que ela ensinava “amarás ao próximo como ti mesmo” Lev. 19:18) ignorarem o mandamento de amor e passarem a encerrar suas orações diárias lançando uma maldição sobre os samaritanos! Nutriam verdadeiro asco por este povo a ponto de os chamarem de endemoniados! (Jo 8:48)

Quanta ira! Isso só me faz lembrar das palavras de tantos crentes de hoje quando vociferam que os homossexuais jamais serão aceitos nas suas igrejas, e outros tantos religiosos que ( apesar das ciências deixarem, hoje, claro que a homossexualidade não é uma escolha nem mesmo um desvio, mas sim, um imperativo natural espontâneo e conscientemente imutável) acusam os homossexuais de serem endemoniados.

Assim como os homossexuais buscam, hoje, ser incluídos na igreja, e são odiosamente rejeitados, os samaritanos, à época, também rogaram ao rei da Assíria que enviasse um sacerdote israelita para lhes ensinar “como servir o Deus da terra”. Mas os judeus assim mesmo os rejeitaram. Repudiavam a forma como eles prestavam culto. Bem como tantos crentes hoje rejeitam a todos que possuem diferentes modelos de costumes e valores.

Me dói ver esse desamor, esse ódio tanto de ontem quanto de hoje. Esse preconceito homofóbico de nossos dias - que é fruto direto da falta de conhecimento científico e teológico e também da falta de conhecimento de Cristo - só gera separação e dor. Destrói famílias e separa irmãos. Me dói ver cristãos rechaçando o clamor de tantas almas que buscam apenas um pouco de acolhimento em meio a um mar de discriminação.

 

Os samaritanos também clamaram por serem aceitos: “Deixa-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus, como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom”, disseram. Mas os judeus reponderam o mesmo que os radicais religiosos dizem, hoje, aos homossexuais: não. Não ao diálogo, não a inclusão, não a aproximação.

Porém, o encontro de Jesus com a mulher samaritana poderia ser descrito como “a vitória do evangelho sobre os preconceitos sócio-culturais”. Jesus não é mesquinho, preconceituoso ou soberbo. Pra Jesus, o povo samaritano é alvo indispensável de seu amor, acolhimento e evangelho! Jesus não lança fora aqueles que a sociedade cruel e moralista e exclui.

Jesus, ao achegar-se
à mulher samaritana, joga no lixo a tradição judaica preconceituosa e moralista que rechaçava os samaritanos! Os samaritanos representavam uma ofensa tão grande aos Judeus que eles nem queriam por os pés na Samaria. Embora a rota mais curta atravessasse essa província, os judeus nunca usavam esse caminho. Mas Jesus foi lá! Pisou naquele chão. Ele se aproximou!

Se eu pudesse dar, aqui, apenas um conselho aos que repudiam os homossexuais, eu diria para que seguissem o exemplo de Cristo e, assim, procurassem a se aproximar. Não existe amor sem aproximação! À distância ninguém mostra amor ou misericórdia. Portanto, sem aproximação não há cristianismo.

Procurem se aproximar de um homossexual. Converse com ele, em amor e misericórdia. Procure saber de sua vida e sua história, como Jesus fez com a mulher samaritana. Faça como Jesus fez com aquela mulher excluída. Ele soube de sua vida, de suas dores e da rejeição que ela sofria.

Você vai, então, descobrir o caminho duro por qual um homossexual passa por ter de aceitar uma realidade que ele mesmo não sonhou eu ter. Saberá das infindas noites em claro, em meio a lágrimas de dor. Conhecerá as angústias por tentar modificar que não se pode modificar; o sofrimento de se auto-rejeitar; as cicatrizes da exclusão e da clandestinidade.

 

Um gay é muito diferente de você? A mulher samaritana também era muito, muito diferente de Jesus! Nos tempos do Novo Testamento havia uma desigualdade absurdamente grande entre homem e mulher. Nos tempos bíblicos (e em muitos países orientais de hoje) os homens não conversavam com mulheres em público, mesmo sendo suas esposas. Se entre um judeu e um samaritano existiam preconceitos profundos, imagine-se entre um rabbi e uma samaritana, e uma samaritana de vida julgada como imoral!

O exemplo de amor de Cristo é sublime! Nesse simples fato de viajar por Samaria e pedir água à uma samaritana, Jesus estava derrubando barreiras centenárias de preconceito. E isso serve de lição para nossas vidas e – eu diria - especialmente para os crentes que têm aversão àquelas pessoas que possuem - contra sua própria escolha, nunca se esqueça disso - uma sexualidade diferente.

Independente do modo em que vivia uma samaritana, os judeus sempre as consideravam em estado de perpétua contaminação. Um judeu preferia morrer de sede a tomar água da mão de um samaritano, muito menos de uma mulher samaritana, sobretudo as que eles rotulavam de imoral e pecadora. Haja vista a surpresa dos discípulos ao virem Jesus falando com a mulher (v27).

Mas com uma simples petição (“dá-me de beber”), o nosso Senhor declara que a separação entre os povos em geral, e judeus e samaritanos em particular, estava, de certa forma, com os dias contados. A parede divisória desaparece onde o evangelho se faz presente! (cf. Gl 3.28; Ef 2.14). Que seja assim em nossos dias!

Pedir água àquela mulher fazia parte de uma estratégia evangelística. À medida que o Grande Evangelista procura ganhá-la, ele orienta sabiamente a conversa, levando-a de um simples comentário sobre beber água à revelação de que ele era o Messias.

Aquele que pedia água fria estava oferecendo água viva, a saber, a Si mesmo. Assim, como podemos ver, o evangelho só se pôde se fazer presente uma vez que Cristo se aproximou daquela mulher tida por todos como imoral e impura.

A mulher também ficou surpresa com o fato de Jesus se dirigir a ela, pedindo água de seu cântaro “impuro”. Mas a impureza não estava no cântaro, e sim, conforme ela era por todos julgada, na vida dela. Mas era aquela vida que o Senhor Jesus queria assim mesmo acolher! Porque Deus não faz acepção de pessoas. Seu amor se estende sobre todos! O evangelho de Cristo é, sim, expandido à todos aqueles que a sociedade moralista discrimina! Basta vermos também a estória de Filipe e o Eunuco (Atos 8:26-40).

Que essa brilhante mensagem de Cristo sirva para que nós não cedamos aos nossos arroubos de julgamentos passionais, não cedamos à tentação de condenar aquilo e aqueles que vemos diferente ou que simplesmente não gostamos, passando por cima de suas dores e sofrimentos.

Que antes de criticar, saibamos nos aproximar e, assim, demonstrar amor. Amor ao nosso próximo, seja ele quem for, não somente ao nosso igual. É esse o amor que nos faz cristãos.

Porque a palavra de Deus diz: “E nisto saberão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros!”

 



 

 



Escrito por Daniel Moraes às 15h35
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Meu amado vô... Não cheguei a te dizer em palavras o quanto te amo... mas tenho certeza de que com meu carinho te mostrei o quanto o senhor me era admirável, o quanto eu te amava.

Que orgulho tenho de ti, vô! Homem forte, ao mesmo tempo caprichoso e detalhista. Homem de levantar, literalmente, as paredes de sua casa, contudo capaz de ser tão elegante e cheiroso. Homem de garra e de luta, porém sempre tão bem humorado e sempre alegre. Homem de Deus... que ensinou a sua geração que fé e perseverança duram, sim, toda uma vida.

Quero aprender com o senhor! Quero que minha fé seja tão inabalável quanto a sua, vô! E nessa mesma fé sei que um dia todos nós, toda nossa família estará lá, ao lado do Pai, unida novamente... e eu poderei ouvir mais uma vez o seu tenor que não sai de minha memória e que nela soa tão nítido que quase posso ouví-lo.

Jamais me esquecerei de ti. Te amo tanto. Até lá.



Escrito por Daniel Moraes às 03h31
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